27ªs Jornadas de Évora da APMGF mostraram:

Engrandecimento na continuidade

    A 27ª edição das Jornadas de Évora da APMGF realizou-se na cidade património mundial da humanidade nos dias 9 e 10 de fevereiro, reunindo aproximadamente 150 participantes, um número muito apreciável para um evento deste cariz e que demonstra o apelo que estas jornadas têm vindo a gerar não só nos médicos de família e internos da região do Alentejo, mas também em profissionais de outras partes do território nacional. De destacar ainda o facto de estas jornadas se encontrarem entre a lista de iniciativas de partilha científica e sócio-profissional para a Medicina Geral e Familiar (MGF) mais antigas e duradouras do país.

    Numa edição em que pontificaram duas conferências (de inauguração e de fecho) sobre marketing em saúde e a redefinição dos limites de idade para a atividade sexual, também os temas escolhidos para as diversas sessões foram diversos e de franco interesse para um médico de família no ativo, como seja o recurso à nova ferramenta (R.A.L.F.) para deteção de sinais de alarme no desenvolvimento infantil, as principais novidades ao nível da vacinação, a alimentação e suplementação no desporto ou os mais recentes desenvolvimentos no acompanhamento gastrenterológico.


         


    Realce, em paralelo, para os 20 pósteres em exposição e para as 8 comunicações livres apresentadas. Estas jornadas ficaram também marcadas por um figurino de sessão científica entusiasmante, já que antes do início das comunicações dos convidados foram sempre projetadas sequências de depoimentos em vídeo, feitas com médicos de família da região alentejana, nas quais os profissionais expressavam as suas dúvidas e preocupações relacionadas com o assunto em questão.

    De acordo com Maria Helena Gonçalves, delegada distrital da APMGF em Évora e membro da comissão organizadora do evento, o segredo da longevidade bem sucedida destas jornadas prende-se com “o trabalho feito pelos colegas que iniciaram este evento e o facto de serem perseverantes. Depois, notou-se uma vontade de integrar colegas mais jovens para intervirem na organização, o que permitiu uma transição fácil entre gerações. Hoje, temos uma equipa jovem e motivada na organização das jornadas, que procura abarcar os jovens médicos de família que se formam e os internos que surgem na região. Apesar de tudo, mantemos sempre na comissão organizadora alguns dos colegas mais velhos e experientes e toda esta combinatória resulta em muito dinamismo”.


         


    A aposta em matérias de debate menos ortodoxas é igualmente uma tónica destas jornadas e em 2017 tal voltou a suceder. A prová-lo, a conferência de abertura realizada por Cristina Vaz de Almeida (pós-graduada em marketing, mestre em comunicação e e-learning e diretora do Serviço de Gestão de Produtos de Apoio da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. “Sempre nos pareceu que a comunicação e a linguagem utilizadas pelos médicos para fazerem passar as suas mensagens aos utentes e conseguirem mudanças de comportamento – no fundo, a finalidade base do nosso dia a dia – era muito importante. Quisemos aprofundar estes conhecimentos e, de facto, a Dr.ª Cristina transmitiu-nos algumas noções extremamente úteis, na medida em que nos possibilitam perceber até que ponto aquilo que fazemos no quotidiano deve ser modificado, para que as mensagens sejam mais efetivas”.

    A dirigente distrital da APMGF não tem dúvidas, aliás, de que o êxito desta iniciativa em termos de afluência de participantes em 2017 muito se deveu à originalidade de sessões como esta: “nos meses e semanas que antecederam as jornadas muitos colegas com quem falei disseram-me que desde há algum tempo que procuravam, em congressos ou reuniões, a oportunidade de debater alguns dos assuntos que escolhemos para o nosso programa. Estou convicta de que o balanço final de inscrições, tão positivo, se deveu também a tal caminho de criatividade que decidimos seguir”.