Dia Mundial do Médico de Família 2017:

Combate cerrado ao sedentarismo e à depressão

  • 19 de Maio de 2017

O Dia Mundial do Médico de Família comemorou-se a 19 de maio, sob a égide nacional da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF) e internacional da Organização Mundial dos Médicos de Família (WONCA). Assim, várias centenas de médicos de família e de internos de Medicina Geral e Familiar, divididos por mais de 70 grupos espalhados pelo país, desenvolveram atividades vocacionadas para a educação em saúde, dentro das unidades de saúde onde trabalham e na comunidade. Sempre com a tónica no aconselhamento para a redução do sedentarismo e procurando explicar que uma vida ativa e feliz é o antídoto por excelência contra a depressão, a perturbação mental mais prevalente entre os portugueses – atinge quase 10% da população, segundo dados do Relatório «Portugal Saúde Mental em Números, 2015» – e com um impacto significativo no consumo de psicofármacos.

No Parque da Quinta das Conchas, em Lisboa, 25 internos da especialidade de MGF ligados ao ACeS Lisboa Norte, internos do ano comum, recém-especialistas e alunos do 6º ano do curso de Medicina juntaram-se para colocar os transeuntes em ação, através de aulas de Yoga, Tai-Chi e Pilates, uma sessão de «mindfulness» e uma caminhada, tudo com a ajuda das Juntas de Freguesia de Alvalade e Lumiar.

Segundo Beatriz Figueiredo, coordenadora do grupo e interna do 3º ano da USF das Conchas, “a logística e a organização deste tipo de iniciativas é um desafio, mas sem dúvida que aquilo que todos queremos é dar continuidade a estas atividades e realizá-las ao longo do ano. Até porque a interação com a comunidade é para nós muito importante. Aliás, sempre que são propostas atividades deste género contamos sempre com uma grande adesão por parte dos colegas. Este ano, por exemplo, não foi nada difícil reunir este grupo de médicos de família (MF) e futuros médicos de família, extremamente motivados”. Na ótica de Beatriz Figueiredo, a nova imagem pública do MF – menos prescritor de fármacos e mais aconselhador de estilos de vida saudáveis - está a conolidar-se e é preciso aproveitar essa onda: “muitos doentes quando nos abordam já têm a consciência de que lhes vamos dizer para comerem melhor e para fazem desporto. A nossa imagem está a mudar, à medida que mudam as nossas funções. Temos é de dar o exemplo, saindo para fora das unidades, para os jardins e parques, realizando exercício com a comunidade. Desta forma, os utentes percebem que tais práticas são realmente significativas, tal como lhes é transmitido nas consultas”.


     


Joana Amaral, aluna do 6º ano da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa também participou nas ações e considera que os médicos, em matéria de promoção de estilos de vida saudáveis e prevenção de doenças do foro mental, devem por a mão na massa: “com isto, estamos a colocar em prática o que defendemos no consultório. Por outro lado, iniciativas como estas também são excelentes para reforçar o espírito de união nas equipas e na classe. É um dia importante, porque vai contribuir para que as pessoas se recordem da MGF e do que ela representa”.

A recém-especialista Susana Vieira foi outro dos elementos deste grupo dinamizador. Acredita que é possível dar o salto de uma efeméride bem sucedida como esta para uma continuidade de promoção de vida ativa, feita nos CSP todo o ano: “em 2017, o lema da efeméride junta à questão do exercício a variável da depressão. A verdade é que nas minhas consultas já procuro promover a realização de exercício não só como forma de equilibrar a parte física, mas também para estimular a parte mental. Na nossa unidade, a USF do Parque, até existe uma caminhada semanal, promovida pelo Dr. Pietro de Carvalho, que vai assumindo várias formas (caminhada contra o colesterol, sedentarismo, depressão, etc.). Isto prova que é possível às unidades e profissionais de saúde manterem uma regularidade na promoção do exercício”.


     


Rui Vieira, vogal do Conselho Diretivo da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) e em simultâneo membro da Direção da Federação Portuguesa de Atletismo, deu nota positiva à ação comunitária: “sou um grande adepto deste tipo de iniciativas. Temos, cada vez mais, de trazer para dentro das nossas unidades de saúde a atividade física e a boa nutrição, que são na realidade a base de toda a saúde. Se queremos administrar saúde, temos de apostar nestas atividades, que embora tenham um contexto pontual, podem e devem ser disseminadas”.

Para Rui Vieira, a nova dinâmica de sociedade em rede tem vindo a facilitar nos últimos anos a concretização de um número maior de iniciativas de sensibilização para o bem estar. São exemplos disso mesmo o programa de mobilidade sénior em Odivelas, com mais de mil pessoas envolvidas, ou o programa Marcha e Corrida, da Federação Nacional de Atletismo: “o que temos de conseguir é uma coordenação local, entre cada unidade de saúde específica e as forças vivas da comunidade que já desenvolvem projetos e programas numa base regular e que podem ajudar a criar grupos estáveis empenhados no exercício. Este é o caminho a seguir, até porque sabemos de antemão que as pessoas isoladamente quase nunca se sentem motivadas para fazer desporto, algo que é mais fácil de suceder no âmbito de um grupo”.


     


O representante da ARSLVT lembra que o incentivo ao desporto é um arma muito poderosa contra todas as doenças crónicas das civilizações da abundância, mas que é essencial fazer o trabalho de casa e sugerir alternativas viáveis em cada comunidade: “quem pratica corrida, caminhada, vela ou qualquer outro tipo de desporto. sabe o bem que isso faz. Fundamental, pois, para os profissionais de saúde é trazer as pessoas para esta realidade, bem como rastrear onde existem atividades pertinentes para cada indivíduo, nesta ou naquela localidade, o que até nem é difícil hoje com tanta informação à mão de semear. Temos, por vezes, de ajudar as pessoas a darem os primeiros passos rumo ao exercício físico”.

Cerimónias oficiais decorreram no Funchal

Em complemento às iniciativas programadas para muitas cidades e vilas de todo o país pelos grupos de profissionais de saúde (em parceria com associações locais e autarquias), a APMGF promoveu comemorações oficiais na ilha da Madeira (Funchal). Assim, em acréscimo a várias ações na comunidade funchalense que se realizaram ao longo do dia e visita a dois centros de saúde locais (Santo António e Bom Jesus), destaque para uma sessão solene às 18h00 no Auditório da Reitoria da Universidade da Madeira, onde foi possível ouvir intervenções do presidente da APMGF (Dr. Rui Nogueira), do presidente da Câmara Municipal do Funchal (Prof. Paulo Cafôfo) e do secretário Regional da Saúde (Dr. Pedro Ramos).


     


Já no sábado, dia 20, as comemorações do Dia Mundial do Médico de Família fecharam em beleza, com o workshop "Gestão da prática clínica em CSP", realizado também no Funchal e cujo formador foi Rui Nogueira, presidente da APMGF.